Retrospectiva 2017 – parte 2

Se ainda não leram, confiram a Parte 1 aqui! 🙂

  • Eleições na Europa

O ano de 2017 foi marcado por várias eleições em países-membro da União Europeia, que serviram como um grande teste para o bloco depois do Brexit. Alguns dos resultados mantiverem o status quo enquanto outros mostraram um cenário que não se via há muito tempo na Europa.

Em março foram realizadas eleições gerais nos Países Baixos. Geert Wilders, candidato de extrema-direita que se posicionava contra a União Europeia, o Islã e a imigração, e que à princípio aparentava uma grande intenção de votos, acabou perdendo por uma larga margem para o atual primeiro-ministro Mark Rutte.

Já em maio foi decidido o resultado da disputada eleição presidencial na França, sendo que o centrista Emmanuel Macron venceu a candidata da extrema-direita Marine Le Pen.

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Fonte: Wales online

Em setembro foi a vez da Alemanha que decidiu pela permanência de Angela Merkel no poder ao invés de Martin Schulz, ex-deputado no Parlamento Europeu. Contudo, o fato mais marcante foi a entrada do partido AfD (Alternativa para a Alemanha) para o parlamento alemão como o terceiro mais votado. Foi a primeira vez desde a 2ª Guerra que um partido de extrema-direita chegava ao poder.

Por fim, um dos fatos mais surpreendentes ocorreu em outubro nas eleições legislativas da Áustria onde o partido conservador ÖVP (Partido Popular) se saiu vitorioso com os sociais-democratas alcançando apenas o segundo lugar.

O resultado das eleições europeias confirmou os efeitos da onda conservadora e populista que o continente vem passando, a qual não deve acabar tão rapidamente e indicando também um período de ainda mais desafios para a União Europeia.

  • Referendo na Catalunha

A Europa também foi balançada esse ano pelo referendo para a independência da Catalunha em relação à Espanha. Na verdade o movimento independentista catalão ganhou mais força principalmente após o referendo escocês que pedia separação do Reino Unido em 2014. Apesar da Escócia não ter seguido em frente após a derrota nas urnas, a Catalunha continuou se organizando para a realização de seu próprio referendo. O primeiro-ministro Mariano Rajoy declarou que o governo espanhol não aceitaria um referendo que considerava inconstitucional.

Mesmo assim, o referendo foi realizado no dia 01 de outubro, em meio a protestos que ocorreram antes, durante e depois do resultado. As manifestações vieram tanto de pessoas a favor quanto contra o referendo, seja da própria Catalunha como de outros lugares na Espanha.

O resultado das urnas declarou a vitória do “sim” à favor da independência, contando com 90% dos votos a favor, embora o comparecimento do eleitorado catalão na votação foi de 42%. Por outro lado, aqueles que se declaram contra defendem a importância da unidade espanhola, bem como as consequências econômicas que vão afetar ambos os lados.

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Fonte: Sky news

Um fato marcante durante o dia da votação foi o conflito violento entre a Polícia Nacional e os manifestantes, com registros da polícia se valendo da força para impedir a votação. O caso gerou constrangimento para o governo central e a crítica da União Europeia devido à violência empregada. Apesar deste alerta, o bloco se manteve alinhado com a Espanha e não manifestou apoio para a causa catalã.

Depois de ser declarada a vitória do “sim”, o governo espanhol interveio na região, convocando eleições antecipadas e depondo o líder na Catalunha, Carles Puigdemont, que foi para a Bélgica. No final de dezembro, o resultado das eleições regionais antecipadas mostrou a vitória dos partidos independentistas como maioria no parlamento da Catalunha, o que provavelmente irá gerar novos atritos com o governo espanhol em 2018.

  • Crise dos refugiados

Em 2017 o mundo presenciou mais uma vez o drama dos refugiados que já se figura na maior crise migratória desde a 2ª Guerra Mundial. Alguns casos já são amplamente divulgados, outros entraram em cena com mais força neste ano que passou.

A Europa continua recebendo refugiados vindos de diferentes partes do mundo, principalmente do Oriente Médio e norte da África, fugindo da guerra, terrorismo, questões econômicas, entre outros motivos. A travessia feita pelo Mar Mediterrâneo ainda é muito usada, apesar do perigo deste caminho. Ao longo do ano foram registrados diversos casos de embarcações que naufragaram, representando 1530 mortes. Este número é maior que o número registrado em 2016 quando 1398 pessoas perderam suas vidas. Contudo, a quantidade de viagens diminuiu consideravelmente caindo de algo em torno de 190 mil para 60 mil, segundo dados da Organização Internacional para Migrações.

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Fonte: The Telegraph

Na Ásia, a minoria étnica rohingyas, de religião mulçumana, está se dirigindo a países como Tailândia, Indonésia e Malásia para fugir da perseguição que sofrem em Myanmar, de base budista. Desde a nova escalada de tensão em agosto, mais de 600 mil fugiram do país. Um relatório do Médicos Sem Fronteiras aponta que ao menos 6700 rohingyas foram mortos em um mês. Tal situação fez com que a ganhadora do Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi e líder de fato de Myanmar, perde-se o prêmio da “Freedom of Oxford” devido a sua falta de ação e silêncio ante esta crise.

A crise migratória também está presente na África, devido aos vários refugiados que fogem a países vizinhos, a maioria deles devido a perseguições e guerras. Dentre os países que mais acolhem refugiados no continente, Etiópia e Quênia recebem grande número de Somalis enquanto Uganda é destino para refugiados da República Democrática do Congo e do Sudão do Sul.

Por fim, nas Américas também foram registrados casos de pessoas buscando refúgio, como daqueles vindos de Guatemala, El Salvador e Honduras e que atravessam o México procurando chegar nos EUA para fugir da violência. O Brasil, por sua vez, também foi porta de entrada para refugiados de outros países do continente americano como Venezuela e Haiti, além de outras nacionalidades vindas da África e do Oriente Médio.

  • Atentados terroristas

Por mais um ano, o mundo presenciou atentados terroristas que afetaram diferentes partes do mundo. Os atentados em 2017 se valeram normalmente de técnicas de ataque simples como atropelamentos, mas que foram responsáveis por um considerável número de mortos. Ficou também mais comum a ação dos chamados “lobos solitários”, isto é, pessoas agindo por conta própria, mas que se inclinam pela ideologia de um grupo terrorista.

Para citar alguns exemplos, cidades como Londres, Estocolmo, Paris, Barcelona e Nova York foram alvos de ataques por atropelamentos, deixando um saldo total de centenas de mortos e feridos.

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Fonte: The New York Times

Menos comentado do que os casos acima, mas com um efeito mais devastador foi o duplo atentado ocorrido na capital da Somália, Mogadíscio, que matou mais de 300 pessoas com um dos ataques feito por um caminhão-bomba. Este se tornou o pior atentado terrorista da história da Somália e por causa do país estar em uma guerra civil por 20 anos, ele não tinha estrutura suficiente para cuidar de todos os feridos, sendo que alguns foram transportados para serem tratados na Turquia.

Outros atentados realizados por veículos-bomba também foram registrados em mais de uma ocasião no Iraque e no Afeganistão, neste último atingindo uma área com embaixadas, durante o mês sagrado para os muçulmanos, o Ramadã.

Confiram o final da retrospectiva na Parte 3 

Fontes: 

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/24/internacional/1506267027_800182.html
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2017/10/1927285-direita-avanca-com-eleicao-de-partido-conservador-na-austria.shtml
http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,perfil-geert-wilders-o-candidato-holandes-contrario-ao-isla,70001697760
https://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/15/internacional/1489561367_230277.html
https://news.sky.com/story/spain-orders-police-crackdown-on-catalonia-referendum-officials-11054571
http://www.bbc.com/portuguese/internacional-41467201
https://brasil.elpais.com/brasil/2017/10/02/internacional/1506937906_525344.html
http://www.debatingeurope.eu/focus/independence-catalonia/#.Wk5se_mnHIV
https://oglobo.globo.com/mundo/oim-mais-de-60-mil-imigrantes-chegaram-europa-pelo-mar-em-2017-21397396
https://g1.globo.com/mundo/noticia/a-maioria-dos-refugiados-nao-esta-na-europa.ghtml
https://www.publico.pt/2017/12/14/mundo/noticia/num-mes-morreram-mais-de-9-mil-rohingya-na-birmania-1795968
https://www.theguardian.com/world/2017/nov/27/aung-san-suu-kyi-loses-freedom-of-oxford-over-rohingya-crisis
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/10/passa-de-300-o-numero-de-mortos-no-pior-ataque-terrorista-da-somalia.html
https://g1.globo.com/mundo/noticia/atentado-em-nova-york-foi-o-oitavo-com-atropelamento-em-2017.ghtml
https://brasil.elpais.com/brasil/2017/05/31/internacional/1496205049_328533.html
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