Aconteceu em RI: 3ª semana de julho

Perdeu o que ocorreu na última semana? Aqui vão alguns destaques 🙂

Encontro entre Putin e Trump

Com certeza o evento mais aguardado desta semana foi o encontro entre Vladimir Putin e Donald Trump em Helsinque, capital da Finlândia, na segunda-feira (16). Apesar de que a reunião foi feita a portas fechadas, havia muita expectativa sobre o que seria debatido no que se refere às relações entre EUA e Rússia, mas também sobre outros temas que frequentemente estão em pauta no cenário internacional como a guerra civil na Síria, a anexação da Crimeia ou a ameaça nuclear.

Depois do encontro, uma coletiva de imprensa foi concedida, sendo que um dos pontos fundamentais perguntados foi o posicionamento de Trump com relação à interferência russa nas eleições presidenciais de 2016.

trump putin
Fonte: Houston Chronicle

(Segundo relatório da inteligência dos EUA, hackers com ligação a Moscou interferiram diretamente nas eleições ao publicarem notícias falsas sobre Hillary Clinton para minar sua imagem em benefício a Trump, além de invadirem a rede de dados interna do partido democrata)

Frente a isso, Trump afirmou que acreditava em Putin sobre a não-interferência russa nas eleições do seu país, o que gerou uma onda de críticas dentro dos EUA vindas dos mais diversos setores como meios de comunicação, políticos democratas e até mesmo aliados republicados, alegando que isto desmoralizava diretamente os serviços de inteligência. Diante da repercussão negativa, Trump voltou atrás em suas declarações no dia seguinte, mas ainda defendeu que sua campanha não teve qualquer influência ou auxílio do governo russo.

Desavenças entre China e EUA chegam à OMC

A recente escalada nas tarifas comerciais, principalmente entre EUA e China (mas que também afetaram outros países como Canadá, México e os membros da União Europeia) entrou em um novo capítulo com a reclamação formal feita pela China contra os EUA na OMC (Organização Mundial do Comércio), por causa do mais recente anúncio da administração Trump referente a uma nova lista de produtos chineses a serem taxados.

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Fonte: Yicai Global

Com isso, na segunda (16) a China levou sua contestação ao nível multilateral. Os EUA, por sua vez, entraram também com um pedido de reclamação no mesmo dia contra a China, mas também contra Canadá, México e a União Europeia. O representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, alegou ser “injustificável as medidas retaliatórias contra seu país”, ainda que o início desta escalada de tarifas tenha partido de lá.

União Europeia e Japão assinam acordo comercial

Ainda dentro do campo do comércio internacional, a União Europeia e o Japão selaram na terça (17) o Acordo de Parceria Econômica (EPA), pacto de livre comércio que pretende eliminar quase que completamente as tarifas aduaneiras entre ambos nos próximos anos.

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Fonte: The Japan Times

O EPA deve provavelmente entrar em vigor até 2019 e se figura atualmente como o maior acordo firmado pela UE até então. Além disso, o novo acordo abarcará um dos maiores blocos comerciais do mundo, correspondendo um mercado de 600 milhões de pessoas e quase 1/3 do PIB mundial.

O recente acordo vai na contramão do protecionismo perpetrado principalmente pela administração Trump. Em discurso, líderes de ambos os lados defenderam que o EPA demonstra a vontade destes países em solidificar as bases do comércio internacional e a rejeição das mais recentes ondas de protecionismo praticadas no mundo.

Israel: decisões no Parlamento e realocação dos Capacetes Brancos

Nestes últimos dias, Israel esteve no centro das notícias devido a dois acontecimentos marcantes. O primeiro ocorreu na quinta (19) quando o Knesset, parlamento israelense, aprovou uma lei polêmica em que reconhecia Israel como um Estado exclusivamente judeu, sendo Jerusalém unificada a capital do país bem como categorizou o hebraico como único idioma oficial. Tal movimentação foi aprovada sob intenso debate e protesto no parlamento e criticada por ser discriminatória às demais minorias presentes no país, notadamente os palestinos.

Além disso, outra notícia foi informada no domingo (22) na qual Israel, a pedido especialmente de Reino Unido, Alemanha e Canadá, ajudou com a evacuação do grupo de ativistas conhecidos como “Capacetes Brancos” e de suas famílias até a Jordânia passando pelo território das Colinas de Golã, sob controle israelense.

Os Capacetes Brancos são um grupo de socorristas que procuram ajudar a população síria afetada pela guerra, como por exemplo, durante os bombardeios. O governo sírio e a Rússia frequentemente acusam o grupo de apoiar grupos rebeldes ou extremistas e de divulgarem notícias falsas. O governo de Damasco fez uma dura crítica a esta recente operação de Israel, a qual realizou o deslocamento de um total de 422 pessoas para a Jordânia.

Pacto da Migração: Hungria se junta aos EUA e sai do acordo

O Pacto Global sobre a Migração é o primeiro documento em escala internacional dedicado a debater as principais questões referentes à imigração de uma forma mais abrangente e efetiva como os direitos básicos dos imigrantes, o incentivo à imigração legal bem como o gerenciamento das fronteiras.

O documento de caráter não vinculante foi aprovado na Assembleia Geral da ONU em julho deste ano, contando com o apoio de 192 dos 193 países pertencentes à organização. Até aquela época, somente os EUA tinham se negado a participar do acordo.

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Fonte: ONU Brasil

Contudo, na quarta (18) a Hungria também decidiu se retirar do acordo por considerar seu conteúdo “perigoso para o mundo e para a Hungria”, segundo alegado pelo seu Ministro das Relações Exteriores, Peter Szijjarto.

Tal decisão é mais uma atitude em linha aos recentes movimentos de intolerância a imigrantes e refugiados acontecendo em diferentes países da Europa, incluindo a Hungria. Vale lembrar que o país passou por eleições legislativas em abril deste ano, reelegendo o primeiro-ministro Viktor Orbán, conhecido por sua retórica anti-imigração.

Por outro lado, mesmo com a saída de ambos os países, a ratificação do Pacto da Migração está prevista para ser realizada pelos demais membros em dezembro deste ano na cidade de Marrakesh, Marrocos.

 

Fontes:

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/07/23/trump-diz-que-nao-desistiu-de-nada-em-cupula-com-putin.ghtml

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/07/internacional/1483813379_250714.html

https://www.cbc.ca/news/business/us-tariffs-wto-1.4748459

https://www.npr.org/2018/07/16/629390937/china-files-wto-complaint-over-u-s-tariff-on-200-billion-of-imports

https://www.dw.com/pt-br/acordo-comercial-ue-jap%C3%A3o-desafia-protecionismo-de-trump/a-44704844

https://www.dn.pt/lusa/interior/migracoes-hungria-retira-se-de-pacto-mundial-aprovado-na-onu-9609526.html

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/07/19/israel-aprova-lei-que-o-define-como-estado-nacao-do-povo-judeu.ghtml

https://www.bbc.com/news/world-middle-east-44915099

 

 

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Aconteceu em RI: 2ª semana de julho

Perdeu o que aconteceu nesta última semana? Aqui vão alguns destaques que ocorreram no mundo 🙂

Etiópia e Eritreia põem fim a anos de conflito

Depois de anos com suas relações diplomáticas cortadas, Etiópia e Eritreia assinaram na segunda (09) um acordo que colocou fim ao estado de guerra entre eles. Os dois países travaram uma guerra de 1998 até 2000 por causa de uma disputa de fronteira e desde esta época mantinham seus laços diplomáticos cortados.

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Fonte: Al Jazeera

A mudança veio principalmente com a chegada do novo-primeiro ministro etíope Abiy Ahmed em abril deste ano que anunciou a implementação de várias reformas no país como a soltura de jornalistas, desbloqueio de sites antes censurados, uma maior abertura de sua economia e até a aceitação completa do acordo de paz feito em 2000 com a Eritreia, mas que na prática nunca tinha sido realmente aceito.

O recente acordo firmado entre as partes nesta semana determinou que além da paz e da volta das relações amigáveis, os dois países também irão procurar estabelecer laços mais profundos de cooperação nas áreas política, econômica, social, cultural e de segurança.

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A Copa do Mundo e as Relações Internacionais

Estamos nos aproximando do final da Copa do Mundo de 2018 na Rússia e mesmo que o Brasil não conseguiu o seu tão sonhado hexacampeonato, não podemos deixar de notar como esta copa foi agitada do começo ao fim. De seus vários acontecimentos, muitos deles estiverem profundamente ligados a questões tipicamente discutidas ou vivenciadas no mundo das relações internacionais.

Hoje, selecionei para vocês 5 momentos em que as relações internacionais estiveram presentes durante a Copa da Rússia de 2018.

  1. O contraste da figura de Putin

O presidente do país anfitrião Vladimir Putin pode ser considerado uma figura que desperta diferentes reações.

Por um lado, no âmbito externo Putin tem entrado em constantes atritos com alguns membros da comunidade internacional por causa de diversos fatores como a anexação da Crimeia em 2014 (o que rendeu à Rússia uma série de sanções econômicas), até o seu apoio a Bashar Al-Assad no contexto da guerra civil síria.

Recentemente, Rússia e Reino Unido entraram em novo desentendimento quando o ex-espião russo Skripal que vive no Reino Unido foi atacado por uma substância química, a qual os britânicos acusam ser de procedência russa. O embate chegou a tal nível que a primeira-ministra Theresa May expulsou diplomatas russos do país (gesto igualmente repetido pela Rússia) e informou que a família real britânica não compareceria a esta edição da Copa do Mundo.

Putin
Fonte: CNN

Se por um lado Putin é criticado por estes fatores no exterior, internamente ele recebe o tratamento oposto. Apesar dos protestos ocorridos em sua recente campanha de reeleição, Putin conquistou mais um mandato como presidente da Rússia até 2024 com aproximadamente 76% dos votos, uma ampla vantagem em comparação aos demais candidatos. De fato, foi possível perceber que Putin desfruta de um grande apoio por parte considerável da população como mostrado em seu discurso de abertura do mundial quando foi muito aplaudido pelos que estavam ali presentes.

  1. Marrocos x Irã: tensão fora dos gramados

Dentro do grupo B, havia dois países que dividiam uma rivalidade muito maior do que apenas a luta por uma vaga nas oitavas: Marrocos e Irã.

Os dois países estão com suas relações diplomáticas cortadas desde maio deste ano por causa do Saara Ocidental, uma ex-colônia espanhola controlada pelo Marrocos desde a década de 1970 (veja o mapa), o qual não reconhece como uma região independente.

 

Em maio, os laços diplomáticos foram cortados quando o Marrocos acusou oficiais do Irã de auxiliar financeiramente e com armamento a Frente Polisário, um grupo separatista do Saara Ocidental, usando o grupo libanês Hezbollah como intermediário. O Irã, por sua vez, negou qualquer envolvimento. (Caso tenham mais interesse, deixem nos comentários e eu faço um post específico sobre o assunto!)

Na verdade se vocês puderem rever o jogo, dá para perceber que o clima entre as equipes estava realmente bem tenso!

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Aconteceu em RI: 1ª semana de julho

Um olhar para alguns dos acontecimentos desta semana…

Eleições no México: AMLO se torna o novo presidente

     Em uma das eleições mais disputadas no México nos últimos tempos, Andrés Manuel López Obrador (AMLO), candidato de esquerda que concorreu pela terceira vez ao posto, se tornou o novo presidente do país com 53% dos votos e acabando com a hegemonia do Partido Revolucionário Institucional (PRI) que governou o país por décadas.

AMLO
Fonte: Via Comercial

AMLO conquistou os votos da maioria dos mexicanos em meio a um contexto de aumento da corrupção e violência, especialmente devido ao narcotráfico, bem como uma rejeição da maioria da população com relação ao status quo político que se observava até então. Dentre as suas prioridades, AMLO destacou acabar com a corrupção, reduzir a violência e lidar com a questão da pobreza no país. Além disso, terá que enfrentar outros desafios de ordem externa, principalmente no que se refere ao relacionamento México-EUA e as discussões acerca do NAFTA.

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Aconteceu em RI: 4ª semana de junho

Um olhar para os principais acontecimentos da semana…

Erdogan se mantém no poder na Turquia

     No domingo (24), Recep Tayyip Erdogan conquistou sua reeleição no cargo de presidente da Turquia com aproximadamente 53% dos votos. Apesar da vitória, vários opositores protestaram e acusaram o resultado de ter sido manipulado. Com cerca de 88% de comparecimento, os turcos também votaram para a composição do parlamento do país. O partido de Erdogan, Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), conquistou 44% dos votos e juntamente com os 11% de seu partido aliado MHP, Erdogan poderá desfrutar de um maior apoio na Câmara.

Erdogan
Fonte: DZ Breaking

     Estando no poder desde 2003 (inicialmente como primeiro-ministro e desde 2014 como presidente), Erdogan permanecerá na cadeira presidencial até 2023. De linha islâmica-conservadora, ele tem sido acusado de concentrar cada vez mais o poder em seu entorno e de atacar opositores, principalmente após a tentativa frustrada de golpe militar contra ele em 2016. Em resposta, Erdogan mandou demitir ou prender milhares de pessoas entre elas, militares, servidores públicos e até mesmo professores e jornalistas, o que vem continuamente gerando um sinal de alerta na comunidade internacional.

Etiópia e Eritréia: delegação enviada para discutir a paz

     Recentemente, o mais novo primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, anunciou que seu país iria aceitar e implementar completamente o acordo de paz assinado em 2000 com a Eritréia, o qual na prática nunca tinha sido seguido até então. Os dois países entraram em guerra entre 1998 e 2000 por causa de uma disputa de fronteira deixando um saldo de aproximadamente 80.000 mortos. Desde desta época, permanecerem com relações diplomáticas cortadas.

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