A Copa do Mundo e as Relações Internacionais

Estamos nos aproximando do final da Copa do Mundo de 2018 na Rússia e mesmo que o Brasil não conseguiu o seu tão sonhado hexacampeonato, não podemos deixar de notar como esta copa foi agitada do começo ao fim. De seus vários acontecimentos, muitos deles estiverem profundamente ligados a questões tipicamente discutidas ou vivenciadas no mundo das relações internacionais.

Hoje, selecionei para vocês 5 momentos em que as relações internacionais estiveram presentes durante a Copa da Rússia de 2018.

  1. O contraste da figura de Putin

O presidente do país anfitrião Vladimir Putin pode ser considerado uma figura que desperta diferentes reações.

Por um lado, no âmbito externo Putin tem entrado em constantes atritos com alguns membros da comunidade internacional por causa de diversos fatores como a anexação da Crimeia em 2014 (o que rendeu à Rússia uma série de sanções econômicas), até o seu apoio a Bashar Al-Assad no contexto da guerra civil síria.

Recentemente, Rússia e Reino Unido entraram em novo desentendimento quando o ex-espião russo Skripal que vive no Reino Unido foi atacado por uma substância química, a qual os britânicos acusam ser de procedência russa. O embate chegou a tal nível que a primeira-ministra Theresa May expulsou diplomatas russos do país (gesto igualmente repetido pela Rússia) e informou que a família real britânica não compareceria a esta edição da Copa do Mundo.

Putin
Fonte: CNN

Se por um lado Putin é criticado por estes fatores no exterior, internamente ele recebe o tratamento oposto. Apesar dos protestos ocorridos em sua recente campanha de reeleição, Putin conquistou mais um mandato como presidente da Rússia até 2024 com aproximadamente 76% dos votos, uma ampla vantagem em comparação aos demais candidatos. De fato, foi possível perceber que Putin desfruta de um grande apoio por parte considerável da população como mostrado em seu discurso de abertura do mundial quando foi muito aplaudido pelos que estavam ali presentes.

  1. Marrocos x Irã: tensão fora dos gramados

Dentro do grupo B, havia dois países que dividiam uma rivalidade muito maior do que apenas a luta por uma vaga nas oitavas: Marrocos e Irã.

Os dois países estão com suas relações diplomáticas cortadas desde maio deste ano por causa do Saara Ocidental, uma ex-colônia espanhola controlada pelo Marrocos desde a década de 1970 (veja o mapa), o qual não reconhece como uma região independente.

 

Em maio, os laços diplomáticos foram cortados quando o Marrocos acusou oficiais do Irã de auxiliar financeiramente e com armamento a Frente Polisário, um grupo separatista do Saara Ocidental, usando o grupo libanês Hezbollah como intermediário. O Irã, por sua vez, negou qualquer envolvimento. (Caso tenham mais interesse, deixem nos comentários e eu faço um post específico sobre o assunto!)

Na verdade se vocês puderem rever o jogo, dá para perceber que o clima entre as equipes estava realmente bem tenso!

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TNP e o controle nuclear

No dia 12 de junho foi celebrado o encontro histórico entre Donald Trump e Kim Jong-un em Singapura para tratar principalmente do programa nuclear norte-coreano, sendo esta a primeira vez que os líderes de ambos os países se encontraram frente a frente.

Depois de meses de tensão, uma gradual aproximação culminou no encontro desta última semana. Ao final, um acordo foi firmado entre os dois países, no qual o texto compreendia o comprometimento de total desnuclearização da península coreana.

Apesar disto, algumas críticas foram levantadas sobre o documento como o fato de seu conteúdo ser muito vago ou de não trazer nada de novo do que já havia sido afirmado por Kim durante seu encontro com o presidente sul-coreano Moon Jae-in em abril deste ano. Veja aqui a íntegra do texto entre Kim e Trump.

U.S. President Donald Trump and North Korea's leader Kim Jong Un sign documents, after their summit in Singapore
Fonte: North State Journal

Ainda que estes pontos deixem nebuloso o futuro deste acordo, é possível entender estas movimentações dentro do contexto de controle nuclear, cujo maior expoente é o tratado de não proliferação de armas nucleares (TNP).

Mas afinal o que é o TNP, quem são os países signatários, quais deles possuem armas nucleares e como a Coreia do Norte se encaixa neste cenário?

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O relógio do fim do mundo

Pode parecer coisa de teoria da conspiração né? Mas o relógio do fim do mundo realmente existe e atualmente se encontra bem perto de marcar meia-noite. Quer saber mais sobre o que isso significa? Então continue lendo este post!

A origem

O relógio do fim do mundo surgiu em 1947 em meio a um contexto de Guerra Fria quando a disputa por armas atômicas mais potentes entre EUA e União Soviética chegava a tal ponto que o mundo ficava cada vez mais preocupado que uma aniquilação nuclear realmente poderia acontecer.

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Fonte: Express

Tendo esta preocupação em mente, pesquisadores do Bulletin of the Atomic Scientists, uma organização independente situada em Chicago (EUA), procuraram meios de “medir” a escalada da tensão entre as duas superpotências até o momento em que este impasse não fosse mais apenas ameaças, mas sim um perigo real.

Justamente por isso, eles criaram o que ficou conhecido como “relógio do fim do mundo” (doomsday clock).

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