Aconteceu em RI: 4ª semana de julho

Um rápido olhar em alguns dos acontecimentos da semana 🙂

Cúpula Mercosul-Aliança do Pacífico

Nesta última semana, os presidentes dos principais blocos regionais da América Latina, Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e Aliança do Pacífico (México, Colômbia, Peru e Chile), se reuniram na cidade mexicana de Puerto Vallarta para discutir o futuro das relações comerciais entre estes países que juntos correspondem a até 85% do PIB da América Latina.

mercosul aliança do pacífico
Fonte: Istoé

Ao final, na terça-feira (24), ambos os lados concordaram em estabelecer um plano de ação conjunto com o objetivo de aumentar mais a integração entre os dois blocos bem como estimular o livre-comércio na região. Além disso, o Brasil também assinou com o México um acordo de cooperação com relação a questões aduaneiras e avançou as negociações com o Chile a respeito de um acordo de livre-comércio.

Tendo em vista as posturas dos presidentes neste encontro, percebe-se uma tentativa da região em consolidar as bases para a manutenção do multilateralismo e defesa do livre-comércio, além de uma clara oposição às recentes ações protecionistas que se percebe no mundo, principalmente com a presidência de Donald Trump nos EUA.

Eleições no Paquistão

Nesta semana também ocorreram as eleições legislativas no Paquistão, que foram marcadas por um processo eleitoral tenso.

Isto se deveu tanto porque Nawaz Sharif, que até pouco tempo ocupava o cargo de primeiro-ministro, ter sido preso devido a seu envolvimento no escândalo do Panama Papers, quanto também por incidentes como um atentado terrorista em um comício eleitoral que resultou na morte de 149 pessoas, incluindo de um candidato. Além disso, outro atentado foi registrado no dia das eleições na região do Baluchistão, matando 31 pessoas.

A man walks past an image of cricket star-turned-politician Imran Khan, chairman of Pakistan Tehreek-e-Insaf (PTI) at a market in Islamabad
Fonte: Indian Express

Nesta eleição, três nomes de peso disputavam o voto dos eleitores. Dois deles vinham de famílias com uma longa tradição na política paquistanesa: Shahbaz Sharif, líder do PML-N e irmão do primeiro-ministro anterior Nawaz Sharif e o outro Bilawal Bhutto do PPP e filho da primeira-ministra assassinada, Benazir Bhutto.

Mesmo assim, a vitória para se tornar o mais novo primeiro-ministro foi de Imran Khan, ex-jogador de críquete e líder do partido PTI que conquistou a maioria dos assentos no parlamento, apesar de acusações de manipulação dos resultados pelos outros candidatos.

É possível entender o êxito de Khan nas eleições dentro de um contexto global mais amplo em que os eleitores estão cada vez mais se afastando de figuras consideradas da “elite política” de seus países (ou establishment) e se voltando para candidatos que são vistos como sendo “de fora” deste círculo (outsiders). Dentre os seus objetivos, Khan defende estreitar os laços do país com Arábia Saudita e China, assim como mostrou a intenção de tentar estabelecer um diálogo melhor com a vizinha Índia.

Israel derruba jato sírio e levanta a tensão na região

Na terça (24) foi registrado que as forças armadas de Israel derrubaram um jato sírio próximo da fronteira entre os dois países. Enquanto que o exército do país alegou que os mísseis foram disparados porque a aeronave tinha ultrapassado em aproximadamente 2 km o espaço aéreo israelense, o governo sírio disse que o jato estava em uma operação atrás de grupos terroristas na região e que foi abatido dentro do seu espaço aéreo.

israel syria
Fonte: BBC

O recente impasse gera preocupação de que o nível de tensão pode escalar para ofensivas militares mais intensas, o que pode abalar toda a região. Recentemente, o governo de Bashar al-Assad vem concentrando suas operações junto com apoio russo na região sudoeste do país que ainda não está controlada pelo governo de Assad e se localiza perto do território das Colinas de Golã, ocupadas por Israel desde 1967.

Corte Internacional de Justiça condena EAU em favor do Catar

A Corte Internacional de Justiça (CIJ), órgão dentro do sistema ONU localizado em Haia (Países Baixos), condenou na segunda-feira (23) o bloqueio dos Emirados Árabes Unidos (EAU) contra o Catar tendo como base a Convenção Internacional de Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (CERD), da qual ambos os países são signatários.

EAU, juntamente com Arábia Saudita, Bahrein e Egito, cortaram relações diplomáticas bem como impuseram um bloqueio aéreo e marítimo contra o Catar em junho de 2017, em uma das piores crises diplomáticas na região do Golfo Pérsico nos últimos anos. Os quatro países alegaram, na época, que o Catar apoiava grupos terroristas e extremistas na região, além de se aliar ao Irã, visto como rival das monarquias do Golfo. O Catar, por sua vez, negou as acusações.

Contudo, um dos efeitos deste bloqueio, no caso dos EAU, foi que muitos cataris se viram obrigados a sair do país, sendo separados de suas famílias ou perdendo as propriedades que tinham nos Emirados.

Por causa disto, o Catar abriu um requerimento contra os EAU na Corte Internacional de Justiça no mês passado. Segundo decisão da Corte, as famílias afetadas devem ser reunidas e os cataris devem ter acesso os serviços judiciais dos EAU. Além disso, estudantes que estavam estudando no país devem ter o direito de retornar para completar seus estudos ou receber as informações necessárias para que completem em outro lugar. Por fim, caso esta decisão não seja cumprida, o Catar ainda pode pleitear sua queixa no Conselho de Segurança.

Juncker debate com Trump sobre futuro comercial entre UE e EUA

Enquanto isso, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker se reuniu com o presidente Donald Trump em Washington D.C.

juncker trump
Fonte: Independent

União Europeia e EUA recentemente entraram em conflito devido à escalada de tarifas iniciadas por Trump sob o aço e alumínio europeu, o que rendeu uma represália de igual intensidade do bloco aos produtos vindos dos EUA. Diante deste cenário e das recentes declarações de Trump questionando a integridade dos europeus no que se refere à sua postura comercial, Juncker se encontrou com Trump na Casa Branca na quarta-feira (25) para debater o futuro de ambos os parceiros.

Ao final da noite, Trump e Juncker anunciaram que tanto EUA quanto União Europeia se comprometiam a trabalhar juntos para alcançar a marca de zero barreiras tarifárias, não-tarifárias ou subsídios em bens industriais (exceto a automobilística), além de aumentar o comércio de serviços entre ambos. Porém, tal declaração não foi apresentada junto a um plano de ação concreto de como isto irá ocorrer, o que ainda pode ser feito futuramente.

 

Fontes:

https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/07/24/alianca-do-pacifico-e-mercosul-assinam-plano-de-acao-para-maior-integracao.ghtml

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/07/24/economia/1532460311_268046.html

https://www.theguardian.com/world/2018/jul/26/imran-khan-claims-victory-in-pakistan-elections

https://www.bbc.com/news/world-asia-44980344?intlink_from_url=https://www.bbc.com/news/topics/cj162g9wlmet/pakistan-election-2018&link_location=live-reporting-story

https://edition.cnn.com/2018/07/24/middleeast/israel-syrian-fighter-jet-intl/index.html

https://www.aljazeera.com/news/2018/07/top-court-rules-uae-blockade-violated-qataris-rights-180723131444047.html

https://www.independent.co.uk/news/world/europe/trump-juncker-eu-deal-trade-war-tariffs-stock-dow-jones-subsidies-a8463946.html

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Aconteceu em RI: 3ª semana de julho

Perdeu o que ocorreu na última semana? Aqui vão alguns destaques 🙂

Encontro entre Putin e Trump

Com certeza o evento mais aguardado desta semana foi o encontro entre Vladimir Putin e Donald Trump em Helsinque, capital da Finlândia, na segunda-feira (16). Apesar de que a reunião foi feita a portas fechadas, havia muita expectativa sobre o que seria debatido no que se refere às relações entre EUA e Rússia, mas também sobre outros temas que frequentemente estão em pauta no cenário internacional como a guerra civil na Síria, a anexação da Crimeia ou a ameaça nuclear.

Depois do encontro, uma coletiva de imprensa foi concedida, sendo que um dos pontos fundamentais perguntados foi o posicionamento de Trump com relação à interferência russa nas eleições presidenciais de 2016.

trump putin
Fonte: Houston Chronicle

(Segundo relatório da inteligência dos EUA, hackers com ligação a Moscou interferiram diretamente nas eleições ao publicarem notícias falsas sobre Hillary Clinton para minar sua imagem em benefício a Trump, além de invadirem a rede de dados interna do partido democrata)

Frente a isso, Trump afirmou que acreditava em Putin sobre a não-interferência russa nas eleições do seu país, o que gerou uma onda de críticas dentro dos EUA vindas dos mais diversos setores como meios de comunicação, políticos democratas e até mesmo aliados republicados, alegando que isto desmoralizava diretamente os serviços de inteligência. Diante da repercussão negativa, Trump voltou atrás em suas declarações no dia seguinte, mas ainda defendeu que sua campanha não teve qualquer influência ou auxílio do governo russo.

Desavenças entre China e EUA chegam à OMC

A recente escalada nas tarifas comerciais, principalmente entre EUA e China (mas que também afetaram outros países como Canadá, México e os membros da União Europeia) entrou em um novo capítulo com a reclamação formal feita pela China contra os EUA na OMC (Organização Mundial do Comércio), por causa do mais recente anúncio da administração Trump referente a uma nova lista de produtos chineses a serem taxados.

WTO
Fonte: Yicai Global

Com isso, na segunda (16) a China levou sua contestação ao nível multilateral. Os EUA, por sua vez, entraram também com um pedido de reclamação no mesmo dia contra a China, mas também contra Canadá, México e a União Europeia. O representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, alegou ser “injustificável as medidas retaliatórias contra seu país”, ainda que o início desta escalada de tarifas tenha partido de lá.

União Europeia e Japão assinam acordo comercial

Ainda dentro do campo do comércio internacional, a União Europeia e o Japão selaram na terça (17) o Acordo de Parceria Econômica (EPA), pacto de livre comércio que pretende eliminar quase que completamente as tarifas aduaneiras entre ambos nos próximos anos.

EPA
Fonte: The Japan Times

O EPA deve provavelmente entrar em vigor até 2019 e se figura atualmente como o maior acordo firmado pela UE até então. Além disso, o novo acordo abarcará um dos maiores blocos comerciais do mundo, correspondendo um mercado de 600 milhões de pessoas e quase 1/3 do PIB mundial.

O recente acordo vai na contramão do protecionismo perpetrado principalmente pela administração Trump. Em discurso, líderes de ambos os lados defenderam que o EPA demonstra a vontade destes países em solidificar as bases do comércio internacional e a rejeição das mais recentes ondas de protecionismo praticadas no mundo.

Israel: decisões no Parlamento e realocação dos Capacetes Brancos

Nestes últimos dias, Israel esteve no centro das notícias devido a dois acontecimentos marcantes. O primeiro ocorreu na quinta (19) quando o Knesset, parlamento israelense, aprovou uma lei polêmica em que reconhecia Israel como um Estado exclusivamente judeu, sendo Jerusalém unificada a capital do país bem como categorizou o hebraico como único idioma oficial. Tal movimentação foi aprovada sob intenso debate e protesto no parlamento e criticada por ser discriminatória às demais minorias presentes no país, notadamente os palestinos.

Além disso, outra notícia foi informada no domingo (22) na qual Israel, a pedido especialmente de Reino Unido, Alemanha e Canadá, ajudou com a evacuação do grupo de ativistas conhecidos como “Capacetes Brancos” e de suas famílias até a Jordânia passando pelo território das Colinas de Golã, sob controle israelense.

Os Capacetes Brancos são um grupo de socorristas que procuram ajudar a população síria afetada pela guerra, como por exemplo, durante os bombardeios. O governo sírio e a Rússia frequentemente acusam o grupo de apoiar grupos rebeldes ou extremistas e de divulgarem notícias falsas. O governo de Damasco fez uma dura crítica a esta recente operação de Israel, a qual realizou o deslocamento de um total de 422 pessoas para a Jordânia.

Pacto da Migração: Hungria se junta aos EUA e sai do acordo

O Pacto Global sobre a Migração é o primeiro documento em escala internacional dedicado a debater as principais questões referentes à imigração de uma forma mais abrangente e efetiva como os direitos básicos dos imigrantes, o incentivo à imigração legal bem como o gerenciamento das fronteiras.

O documento de caráter não vinculante foi aprovado na Assembleia Geral da ONU em julho deste ano, contando com o apoio de 192 dos 193 países pertencentes à organização. Até aquela época, somente os EUA tinham se negado a participar do acordo.

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Fonte: ONU Brasil

Contudo, na quarta (18) a Hungria também decidiu se retirar do acordo por considerar seu conteúdo “perigoso para o mundo e para a Hungria”, segundo alegado pelo seu Ministro das Relações Exteriores, Peter Szijjarto.

Tal decisão é mais uma atitude em linha aos recentes movimentos de intolerância a imigrantes e refugiados acontecendo em diferentes países da Europa, incluindo a Hungria. Vale lembrar que o país passou por eleições legislativas em abril deste ano, reelegendo o primeiro-ministro Viktor Orbán, conhecido por sua retórica anti-imigração.

Por outro lado, mesmo com a saída de ambos os países, a ratificação do Pacto da Migração está prevista para ser realizada pelos demais membros em dezembro deste ano na cidade de Marrakesh, Marrocos.

 

Fontes:

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/07/23/trump-diz-que-nao-desistiu-de-nada-em-cupula-com-putin.ghtml

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/07/internacional/1483813379_250714.html

https://www.cbc.ca/news/business/us-tariffs-wto-1.4748459

https://www.npr.org/2018/07/16/629390937/china-files-wto-complaint-over-u-s-tariff-on-200-billion-of-imports

https://www.dw.com/pt-br/acordo-comercial-ue-jap%C3%A3o-desafia-protecionismo-de-trump/a-44704844

https://www.dn.pt/lusa/interior/migracoes-hungria-retira-se-de-pacto-mundial-aprovado-na-onu-9609526.html

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/07/19/israel-aprova-lei-que-o-define-como-estado-nacao-do-povo-judeu.ghtml

https://www.bbc.com/news/world-middle-east-44915099

 

 

Aconteceu em RI: 2ª semana de julho

Perdeu o que aconteceu nesta última semana? Aqui vão alguns destaques que ocorreram no mundo 🙂

Etiópia e Eritreia põem fim a anos de conflito

Depois de anos com suas relações diplomáticas cortadas, Etiópia e Eritreia assinaram na segunda (09) um acordo que colocou fim ao estado de guerra entre eles. Os dois países travaram uma guerra de 1998 até 2000 por causa de uma disputa de fronteira e desde esta época mantinham seus laços diplomáticos cortados.

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Fonte: Al Jazeera

A mudança veio principalmente com a chegada do novo-primeiro ministro etíope Abiy Ahmed em abril deste ano que anunciou a implementação de várias reformas no país como a soltura de jornalistas, desbloqueio de sites antes censurados, uma maior abertura de sua economia e até a aceitação completa do acordo de paz feito em 2000 com a Eritreia, mas que na prática nunca tinha sido realmente aceito.

O recente acordo firmado entre as partes nesta semana determinou que além da paz e da volta das relações amigáveis, os dois países também irão procurar estabelecer laços mais profundos de cooperação nas áreas política, econômica, social, cultural e de segurança.

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Aconteceu em RI: 1ª semana de julho

Um olhar para alguns dos acontecimentos desta semana…

Eleições no México: AMLO se torna o novo presidente

     Em uma das eleições mais disputadas no México nos últimos tempos, Andrés Manuel López Obrador (AMLO), candidato de esquerda que concorreu pela terceira vez ao posto, se tornou o novo presidente do país com 53% dos votos e acabando com a hegemonia do Partido Revolucionário Institucional (PRI) que governou o país por décadas.

AMLO
Fonte: Via Comercial

AMLO conquistou os votos da maioria dos mexicanos em meio a um contexto de aumento da corrupção e violência, especialmente devido ao narcotráfico, bem como uma rejeição da maioria da população com relação ao status quo político que se observava até então. Dentre as suas prioridades, AMLO destacou acabar com a corrupção, reduzir a violência e lidar com a questão da pobreza no país. Além disso, terá que enfrentar outros desafios de ordem externa, principalmente no que se refere ao relacionamento México-EUA e as discussões acerca do NAFTA.

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