Aconteceu em RI: 4ª semana de outubro

Olá gente, tudo bom? O Horizonte RI andou meio sumido nestes últimos tempos, mas espero poder voltar com o ritmo normal das publicações! 🙂

Sendo assim, vamos dar uma olhada em alguns dos principais acontecimentos da última semana?

Eleições legislativas no Afeganistão

No sábado (20), o Afeganistão passou por suas eleições parlamentares depois de esperar por um período de três anos. O evento acabou sendo marcado por alguns ataques violentos que mataram 18 pessoas somente na capital Cabul além de matar e ferir aproximadamente 170 pessoas pelo país.

The daily star
The Daily Star

Depois da invasão dos EUA nos anos 2000 e a subsequente queda do Talibã, o país ainda busca alcançar uma estabilidade, mas a insurgência deste grupo ainda permanece, gerando constantes confrontos contra as forças de segurança afegãs bem como atentados que também afetam a população local.

Cúpula para a paz na Síria

Nesta última semana também os líderes da Rússia, Alemanha, Turquia e França se encontraram em Instabul para discutir os rumos da guerra na Síria bem como os caminhos e medidas necessários para estabelecer a paz no país dentro do âmbito político.

News conference after a Syria summit in Istanbul
Fonte: Reuters

Os presidentes Putin e Erdogan já tinham se encontrado em outras ocasiões (algumas delas com representantes do Irã) para discutir os rumos na guerra síria, culminando inclusive no mês passado no acordo firmado entre Rússia e Turquia sobre um cessar-fogo na região de Idlib, último bastião rebelde. A novidade desta vez foi a inclusão de Alemanha e França na mesa de discussão, embora seja importante notar a ausência de Irã e EUA que também são peças chave dentro da lógica deste conflito.

No encontro desta semana, os líderes reafirmaram a importância de manter um cessar-fogo em Idlib bem como em trabalhar para encontrar uma solução política para trazer paz à Síria e discutir como será feita a reconstrução do país no pós-guerra.

Imigrantes da América Central seguem em caravana rumo aos EUA

Em consequência da instabilidade política e social que ocorre em diversos países da América Central como Honduras, Guatemala e El Salvador, seja por perseguição política ou violência principalmente perpetrada pelas gangues locais, milhares de pessoas estão deixando sua terra natal e migrando em caravana rumo aos EUA.

Insider
Fonte: Insider

Nesta semana, o grupo de imigrantes chegou no sul do México, onde foi oferecido a eles a possibilidade de pedir asilo no país. Embora alguns tenham aceitado ou até mesmo desistido da jornada e voltado para casa, outros se mantiveram firmes em direção à fronteira com os EUA. Neste caso é interessante notar que, apesar das recorrentes ondas migratórias vindas da América Central até os EUA, tal fenômeno como vivenciado agora que conta com um alto número de imigrantes (estimativas variam mas colocam a quantidade entre 3.000 e 7.000 pessoas) e que se juntaram de forma organizada para marchar até os EUA é algo relativamente novo.

Por outro lado, o presidente dos EUA, Donald Trump, já se posicionou com relação ao assunto. Mantendo sua retórica anti-imigração, Trump ameaçou mandar tropas para a fronteira com o México bem como de cortar a ajuda humanitária feita pelos EUA aos países da América Central, o que está gerando um grande debate dentro do seu próprio país.

Sri Lanka enfrenta instabilidade política e crise constitucional

Durante esta semana, a situação política do Sri Lanka, país insular localizado ao sul da Índia, atingiu um ponto de ruptura quando o presidente do país, Maithripala Sirisena, retirou o cargo de primeiro-ministro de Ranil Wickremesinghe, entregando-o ao antigo presidente do país, Mahinda Rajapaksa.

Nikkei Asian Review
Fonte: Nikkei Asian Review

Além disso, Sirisena também suspendeu temporariamente o parlamento até 16 de novembro, o que foi visto por alguns como um golpe, visto que Wickremesinghe (que detém responsabilidade sobre o parlamento) possuía a maioria deste órgão ao seu favor. Apesar dos protestos, também foram registradas comemorações pelos apoiadores do presidente.

A crise presente no Sri Lanka já se observa há algum tempo, principalmente por um crescimento econômico fraco e pela tensão entre a coalizão dos partidos de Sirisena e Wickremesinghe. Além do mais, Sirisena acusa Wickremesinghe de não ter investigado apropriadamente uma trama de assassinato contra ele acusando também o serviço de inteligência indiano, embora a Índia negue qualquer envolvimento.

Por outro lado, a atual indicação de Rajapaksa, o qual acredita-se ser próximo da China, preocupa a Índia que vê o Sri Lanka dentro da sua zona de influência.

Eleições presidenciais brasileiras repercutem internacionalmente

A eleição presidencial brasileira de 2018 foi um acontecimento que gerou grandes repercussões internacionais desde o período de campanha até o resultado final neste último domingo (28). Seja pela constatada polarização da sociedade brasileira ou pelos discursos dos candidatos à presidência, notadamente do atual presidente eleito Jair Bolsonaro, tanto a mídia quanto líderes mundiais acompanharam e se posicionaram ante aos recentes acontecimentos da política brasileira.

o povo
Fonte: O Povo

Diferentes canais de comunicação destacaram a atual divisão da sociedade brasileira e a preocupação que tal separação se mantenha mesmo após as eleições o que irá com certeza influenciar os rumos da agenda de reformas que ainda estão previstas para serem discutidas. Além disso, o discurso de campanha de Bolsonaro ainda lançou preocupações principalmente em relação à preservação dos direitos das minorias.

Além disso, diversos líderes mundiais acompanharam o resultado das eleições. Alguns como o primeiro-ministro da Espanha Pedro Sanchéz e o presidente da França Emmanuel Macron focaram-se mais em parabenizar a realização do processo eleitoral e destacar a importância da consolidação e crescimento das relações entre o Brasil e seus países. Já outros como o presidente dos EUA Donald Trump ou o vice-primeiro-ministro italiano Matteo Salvini deram suas felicitações destacando não somente as relações bilaterais entre Brasil e seus países como também deu um enfoque maior à retórica de Bolsonaro, o que pode dar indicações de quais figuras mundiais provavelmente serão mais aliadas do próximo governo.

Fontes:

https://exame.abril.com.br/mundo/violencia-em-eleicao-parlamentar-no-afeganistao-deixa-ao-menos-18-mortos/

https://www.globalvillagespace.com/afghanistan-election-2018-and-reconciliation-process/

https://istoe.com.br/russia-turquia-franca-e-alemanha-fazem-reuniao-inedita-sobre-a-siria-em-istambul/

https://www.reuters.com/article/us-usa-immigration-caravan/central-american-caravan-moves-on-in-spite-of-mexico-jobs-offer-idUSKCN1N10Q8

https://www.bbc.com/news/world-latin-america-45951782

https://www.reuters.com/article/us-sri-lanka-politics/sri-lanka-president-dissolves-parliament-cabinet-spokesman-idUSKCN1N107E

http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2018-10/imprensa-internacional-destaca-eleicoes-no-brasil

https://especiais.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2018/repercussao-da-vitoria-de-jair-bolsonaro-entre-os-lideres-mundiais/

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Aconteceu em RI: 3ª semana de setembro

Mais uma semana se passou. Vamos dar uma olhada em alguns dos principais acontecimentos 🙂

Rússia e Turquia chegam a um acordo sobre Idlib

Nesta semana, contrariando o último encontro entre Rússia, Turquia e Irã sobre a situação síria que terminou em um impasse, os presidentes Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan concordaram em tornar a região de Idlib em uma zona desmilitarizada.

global news
Fonte: Global News

A decisão foi anunciada na segunda (17) após dias de negociação entre ambas as partes. Acreditava-se que uma ofensiva militar do regime sírio na região geraria uma catástrofe humanitária, visto que ainda existem em torno de 3 milhões de pessoas vivendo na área.

O acordo foi considerado uma vitória diplomática para Erdogan que desde a última reunião entre os três líderes na semana anterior já tinha se posicionado contra a ofensiva, tanto por formalmente se posicionar contra o governo de Assad (ao contrário dos outros dois) quanto por razões pessoais como um aumento potencial de fluxos de refugiados para o seu país ou o confronto particular entre o exército turco e as forças curdas.

middle east observer
Fonte: Middle East Observer

Dentre o estabelecido no acordo, a desmilitarização de Idlib: a) cobrirá uma área de 15 a 20 km a partir de 15 de outubro, b) grupos radicais como Al-Qaeda ou outros ligados a ele deverão sair desta zona dentro deste período, c) o governo sírio terá acesso a rodovias as quais ligam a outras regiões no norte do país e d) tropas russas e turcas monitorarão esta zona.

Assembleia Geral das Nações Unidas

Desde terça (18) até 01 de outubro a ONU sediará a 73ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, o encontro anual entre os líderes mundiais para debater os principais assuntos no cenário internacional. Neste ano, o tema principal da sessão é “Fazendo as Nações Unidas relevantes para todas as pessoas: Liderança Global e Responsabilidades compartilhadas para Sociedades Pacíficas, Igualitárias e Sustentáveis”.

UN news
Fonte: UN News

Além do debate geral, que só ocorrerá a partir do dia 25 de setembro, a sessão contou e ainda contará com outros eventos. Nesta última semana, um dos momentos mais marcantes foi a posse da equatoriana María Fernanda Espinosa como a mais nova presidente da Assembleia Geral. Com isso, ela se tornou a primeira latino-americana e a quarta mulher a presidir o órgão em 73 anos de história.

Neste ano, além do tema principal, outros assuntos que provavelmente estarão em debate são a Coreia do Norte, o conflito no Iêmen, a tensão entre EUA e Irã com relação ao acordo nuclear e a crise na Venezuela.

Reunião entre as Coreias debate novas medidas para estreitar relações

Na quarta (19), o presidente sul-coreano Moon Jae-in se encontrou com o líder norte-coreano Kim Jong-un na Coreia do Norte para um encontro de três dias em que seria debatido novas medidas para estreitar os laços entre ambos e trilhar um caminho que potencialmente leve a uma declaração de paz em algum momento no futuro (na prática, os dois países continuam em guerra, sendo que somente um armistício foi assinado há 65 anos atrás).

New Indian Express
Fonte: New Indian Express

No segundo dia, os dois líderes concederam uma coletiva de imprensa, na qual anunciaram alguns dos pontos acordados até então. Dentre eles, os principais foram: a) o comprometimento norte-coreano de fechar Tongchang-ri, local de testes de mísseis e os dois lados vão procurar também b) criar ligações ferroviárias e rodoviárias entre norte e sul bem como c) parar a realização de exercícios militares próximos à zona desmilitarizada entre as Coreias até 1º de novembro, d) além de remover postos da guarda desta zona até o final do ano, e) normalizar o complexo industrial norte-coreano de Kaesong e f) formalizar uma candidatura conjunta para sediar os Jogos Olímpicos de Verão de 2032.

Ainda foi anunciado que as reuniões entre os líderes coreanos deve ser tornar mais frequente, sendo que há a possibilidade do próximo encontro deste ano se realizar em Seul, a capital sul-coreana. Se isto de fato ocorrer, será a primeira vez que um líder norte-coreano visitará a capital do seu vizinho do sul. Por fim, foi também levantado a possibilidade de que a Coreia do Norte estaria disposta a fechar Pyongyang, primeira instalação nuclear desenvolvida pelo país, desde que os EUA se comprometam a tomar medidas recíprocas dando seguimento ao início do diálogo entre ambos depois do encontro de Singapura em junho e que agora se encontra estagnado.

Reino Unido e União Europeia falham em atingir ponto comum sobre Brexit

Na quinta (20), os líderes dos países-membro da União Europeia (UE) juntamente com o Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, se encontram em Salzburg (Áustria) com a primeira-ministra britânica Theresa May para debater maiores detalhes sobre o processo de saída do Reino Unido da UE, o Brexit, que está marcado para ser finalizado em março do ano que vem.

May procura fazer seu plano da saída do Reino Unido (chamado de Chequers Brexit) ser aprovado pelos membros da UE, mas durante este encontro informal na cidade austríaca os líderes europeus de maneira geral rejeitaram a proposta de May, principalmente Tusk e o presidente francês Emmanuel Macron, declarando que o mesmo é impossível de ser implementado.

The Times
Fonte: The Times

O grande impasse ocorre por causa da fronteira entre a República da Irlanda (que ainda é membro do bloco) e a Irlanda do Norte (que faz parte do Reino Unido). Segundo o plano de May, o Reino Unido e a UE seguiriam um conjunto de normas comuns para permitir que o fluxo de bens e serviços se mantivesse entre os membros do bloco no continente e a Irlanda, passando pelo Reino Unido sem que haja um retorno das verificações aduaneiras.

Os líderes da UE, por sua vez, discordam do plano pois acreditam que isto prejudicaria a ideia de mercado comum além de dar ao Reino Unido uma vantagem competitiva em relação a outros países que também não são membros do bloco. Já o Reino Unido rejeita qualquer solução que venha a estabelecer duas “fronteiras” tarifárias diferentes entre partes do seu território.

Com o fracasso do encontro em Salzburg, May concedeu uma coletiva de imprensa na qual exigiu que os líderes europeus respeitem a decisão do Brexit. Além disso, acredita-se que o resultado desta reunião pressione ainda mais a primeira-ministra internamente, já que é criticada pelo próprio Partido Conservador a tomar uma linha mais dura. Por outro lado, Tusk determinou que outubro, quando ocorrerá a reunião do Conselho Europeu, será o prazo final para uma solução a respeito da fronteira da Irlanda, sendo esta uma condição para que novas conversas a respeito do Brexit ocorram em novembro.

Fontes:

https://www.dw.com/en/russia-turkey-agree-to-create-demilitarized-zone-around-syrias-idlib/a-45530727

https://www.reuters.com/article/us-mideast-crisis-syria-turkey-russia/turkey-russia-agree-borders-of-idlib-demilitarized-zone-idUSKCN1M11N7

http://sdg.iisd.org/events/73rd-session-of-the-un-general-assembly/

http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2018-09/trump-coreia-do-norte-e-venezuela-devem-dominar-assembleia-da-onu

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/09/19/coreia-do-norte-promete-fechar-local-de-testes-de-misseis.ghtml

https://edition.cnn.com/2018/09/18/asia/north-korea-south-korea-summit-intl/index.html

https://edition.cnn.com/2018/09/21/uk/theresa-may-brexit-statement-intl/index.html

https://www.theguardian.com/politics/2018/sep/20/may-in-fight-to-save-chequers-brexit-plan-after-salzburg-ambush

Aconteceu em RI: 2ª semana de setembro

Um breve olhar por alguns dos principais acontecimentos da semana 🙂

Rússia: reforma da previdência e desdobramentos do caso Skripal

Nesta semana, a Rússia foi cenário de dois eventos marcantes:

O primeiro deles é referente à onda de protestos ocorridos no país contra a implementação da reforma da previdência, cujo ponto de maior embate é a mudança da idade para se aposentar (homens passariam de 60 para 65 anos e mulheres de 55 para 60 anos).

Business Live
Fonte: Business Live

Na verdade, protestos contra a reforma da previdência já foram registrados anteriormente. Contudo, a reforma ainda é debatida no parlamento do país, o que gerou novos protestos desde domingo (09), dia em que se realizaram as eleições regionais no país, e perduraram e ao longo de toda semana.

Além disso, uma série de prisões bem como confrontos entre a polícia e manifestantes foram registrados. Os protestos são defendidos principalmente por Alexei Navalny, principal nome da oposição no país e que está preso desde agosto. As repercussões destes protestos têm afetado negativamente a popularidade do presidente Vladimir Putin.

Deutsche Welle
Fonte: Deutsche Welle

O segundo caso nesta semana foi a entrevista cedida por Ruslan Boshirov e Alexander Petrov à mídia estatal russa. Os dois são acusados de serem os responsáveis pelo ataque contra o ex-espião russo Skripal e sua filha em março na cidade de Salisbury (Reino Unido). Durante a entrevista, ambos confirmaram que estavam no local, porém eram apenas turistas e não tinham nenhuma relação com o atentado contra Skripal. Apesar disto, o Reino Unido manteve sua posição de que os dois homens são agentes da inteligência russa que foram designados para matar Skripal.

Eleições na Suécia: a extrema-direita chega ao parlamento sueco

Seguindo a tendência que se observa nos últimos anos no continente europeu, mas em uma decisão sem precedentes para a política da Suécia, que é considerado um dos países mais progressistas da Europa, o partido de extrema-direita e anti-imigração “Democratas Suecos” se tornou o 3º mais votado nas eleições legislativas do domingo (09).

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Fonte: The Local

Ainda que o tradicional partido de centro-esquerda, “Social Democratas”, que dominam a política no país desde os anos 1930 continuaram na liderança dos votos, a porcentagem que conquistaram (aproximadamente 28%) foi insuficiente para formar uma maioria no parlamento e caracterizou-se como a quantidade mais baixa já atingida no prazo de um século. O partido dos “Moderados”, de centro-direita, que também normalmente dividem os votos entre os suecos alcançou a segunda colocação.

O novo quadro do país lança uma incerteza de qual será o possível governo de coalizão a ser formado e como a política sueca será conduzida a partir de agora, principalmente temas considerados polêmicos atualmente como as migrações, que foi amplamente usado no discurso política desta campanha.

Escritório da Missão Palestina nos EUA será fechada

Na segunda (10), a administração Trump anunciou que o escritório da missão palestina em Washington D.C. deveria ser fechado até no máximo 10 de outubro deste ano. A recente decisão vem de encontro com uma série de medidas tomadas pela atual administração que têm gerado cada vez mais críticas, ceticismo e congelamento nas negociações de paz entre israelenses e palestinos, como por exemplo a saída dos EUA do Conselho de Direitos Humanos da ONU por alegar ser anti-Israel ou o reconhecimento de Jerusalém como capital israelense.

Kcur
Fonte: Kcur

Além disso, uma das justificativas feita pelo Departamento de Estado é a de que a Autoridade Nacional Palestina não tem se esforçado o suficiente para negociar com Israel, visto que os palestinos se retiraram das conversas sobre um possível acordo de paz a ser desenhado pelos EUA, depois dos acontecimentos anteriormente citados terem ocorrido. A declaração ainda mencionava preocupação com a intenção dos palestinos em querer levar Israel perante o Tribunal Penal Internacional (TPI), que não é reconhecido nem por Israel nem pelos EUA.

Acredita-se ainda que esta decisão é motivada por um receio interno do governo americano de que os EUA também possam ocorrer o risco de serem investigados pelo TPI por causa das ações cometidas no Afeganistão no começo dos anos 2000.

União Europeia: potenciais sanções contra a Hungria

Na quarta (12), o Parlamento Europeu em Estrasburgo realizou uma votação histórica, na qual aproximadamente 70% dos deputados votaram a favor de iniciar um procedimento disciplinar contra a Hungria. A composição foi de 448 votos a favor, 197 contrários e 48 abstenções.

A medida ocorreu com a elaboração e aprovação de um relatório em que detalhava diferentes momentos que a Hungria do primeiro-ministro Viktor Orbán desrespeitou os valores europeus essenciais para um membro do bloco seguir como a defesa da democracia, do Estado de Direito, dos direitos humanos e das minorias.

Al Jazeera
Fonte: Al Jazeera

O relatório afirmava que nos últimos anos a Hungria vem violando estes valores, o que ficou claro pela política anti-imigração e principalmente pelo modo em que os refugiados eram tratados no país, além da reforma no Judiciário, a perseguição a minorias como os ciganos e a redução da pluralidade na mídia, entre outros fatores.

A partir desta votação, um procedimento disciplinar entrará em vigor, o que em última instância pode retirar o direito de voto da Hungria no Parlamento Europeu. Contudo, não é provável que as sanções cheguem a este nível devido ao voto do governo da Polônia, que atualmente também tem uma postura anti-imigração, e que iria barrar esta medida.

A Hungria, por sua vez, acusou a votação de fraudulenta e afirmou que continuará defendendo as suas fronteiras. Acrescentou também que ainda irá entrar com um recurso contra esta recente votação.

Crise na rúpia indiana

Assim como ocorreu em outros mercados emergentes, notadamente a Turquia e a Argentina, a Índia vem passando por uma crise em sua moeda nacional. Em razão de uma combinação de fatores como o alto déficit comercial indiano, a alta no preço do petróleo (o qual a Índia importa 2/3 do seu consumo energético) bem como o embate comercial entre EUA e China, a rúpia indiana está passando por uma desvalorização que na quarta (12) chegou ao seu valor mais baixo em que US$1 equivalia a 72,91 rúpias indianas.

Gulf news
Fonte: Gulf News

Apesar disto, o governo indiano minimizou a situação ao comparar com outros mercados emergentes como o turco e o argentino, visto que o país ainda desfruta de um crescimento alto e uma baixa inflação. Mesmo assim, existe um temor por parte dos bancos e dos investidores no país de que o desempenho da rúpia indiana ainda pode piorar dependendo dos próximos desdobramentos do cenário internacional bem como pela aproximação das eleições do ano que vem, a qual pode gerar a implementação de medidas populistas na economia com o intuito de atrair mais votos.

Fontes:

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/09/16/na-russia-populacao-retoma-protestos-contra-reforma-da-previdencia-apos-prisoes.ghtml

https://noticias.band.uol.com.br/jornaldaband/videos/ultimos-videos/16538445/russia-reprime-protestos-contra-reforma-da-previdencia.html

https://www.aljazeera.com/news/2018/09/skripal-poisoning-suspects-tourists-uk-180913110002250.html

https://edition.cnn.com/2018/09/10/europe/sweden-elections-results-intl/index.html

https://www.theguardian.com/world/2018/sep/09/swedish-election-far-right-on-course-for-sizeable-gains-in-vote

https://www.washingtonpost.com/world/national-security/white-house-expected-to-warn-of-sanctions-other-penalties-if-international-court-moves-against-americans/2018/09/09/9c47bd64-b2b2-11e8-9a6a-565d92a3585d_story.html?utm_term=.3d3118662436

https://www.dw.com/pt-br/ue-recomenda-san%C3%A7%C3%B5es-contra-hungria-por-desrespeito-%C3%A0-democracia/a-45464719

https://www.dn.pt/mundo/interior/parlamento-europeu-vota-a-favor-de-inedito-processo-disciplinar-a-hungria-9834795.html

https://www.aljazeera.com/news/2018/09/indian-rupee-crisis-worst-180914091306842.html

Aconteceu em RI: 1ª semana de setembro

Essa semana foi cheia de acontecimentos importantes! Aqui vão alguns destaques 🙂

Prisão de jornalistas em Myanmar

Business Insider
Fonte: Business Insider

Uma reviravolta nas condições de direitos humanos e liberdade de imprensa atingiu Myanmar. Nesta segunda (03), dois jornalistas locais trabalhando para a rede de notícias Reuters foram condenados a 7 anos de prisão. Wa Lone (32) (direita na foto) e Kyaw Soe Oo (28) (esquerda na foto) foram presos em dezembro de 2017 quando realizavam uma investigação sobre o assassinato de 10 homens rohingyas em um vilarejo de Myanmar bem como as violações perpetradas pelos militares birmaneses contra este grupo que é minoria no país.

Os dois foram presos após se encontrarem com alguns policiais que lhe entregaram alguns documentos e foram presos logo em seguida por outros agentes em um esquema montado propositalmente para deter os jornalistas. Sob a alegação de estarem portando documentos secretos do governo, os dois receberam suas sentenças na segunda.

O resultado do veredicto gerou repúdio de diversos grupos de direitos humanos, outros países e organizações internacionais que condenaram a prisão dos jornalistas bem como foi levantado críticas contra Aung San Suu Kyi, líder de fato de Myanmar e detentora do Prêmio Nobel da Paz por sua luta pela democracia no país, mas que no tocante à crise rohingya ela é acusada de não tomar nenhuma atitude com relação às violações dos militares.

Ataque ao último bastião rebelde na Síria

Nesta sexta (07), os presidentes da Rússia, Turquia e Irã (Putin, Erdogan e Rouhani) se encontraram na capital iraniana Teerã para discutir os rumos finais da guerra civil na Síria que já dura 7 anos e conta com um saldo de mais de 500 mil mortos e 6 milhões de refugiados.

President Putin of Russia, Rouhani of Iran and Erdogan of Turkey meet in Tehran
Fonte: The Indian Express

As conversas se focaram nas medidas que serão tomadas em Idlib cidade síria localizada no norte do país, próxima à fronteira com a Turquia e último bastião rebelde contra o governante sírio Bashar al-Assad, o qual ameaçou lançar um ataque final ao local. Uma conferência de imprensa também foi realizada.

Em Teerã, as conversas falharam em chegar a um cessar-fogo para Idlib. Enquanto Turquia, que se posiciona contra Assad e frequentemente auxiliou rebeldes contra o regime sírio, alegava que a batalha de Idlib poderia se tornar um banho de sangue, Rússia e Irã que apoiam o regime de Assad descartaram apoiar esta possibilidade. No caso da Turquia, ainda há a preocupação de que um novo ataque à Idlib provoque mais uma onda migratória para o seu país bem como que prejudique os seus ganhos pessoais no que se refere ao confronto da Turquia contra os curdos.

Com isso, um ataque a Idlib é cada vez mais provável embora não seja possível definir quando.

Dois suspeitos do caso Skripal são apontados

BBC
Fonte: BBC

Na quarta (05), uma investigação conduzida pela inteligência do Reino Unido anunciou que dois cidadãos de origem russa eram considerados suspeitos pelo ataque com agente químico Novichok em março contra o ex-espião russo Skripal e sua filha na Inglaterra.

Os resultados da investigação foram posteriormente apresentados pelo Reino Unido no Conselho de Segurança da ONU na quinta (06) quando também recebeu o apoio dos EUA, Alemanha, França e Canadá. A Rússia, por sua vez, negou as acusações.

Continente americano debate crise na Venezuela

Treze países da América Latina, entre eles o Brasil, se reuniram na terça (04) em Quito no Equador para discutirem que medidas seriam tomadas para lidar com a crise dos refugiados venezuelanos que diariamente fogem de seu país para buscar abrigo nos vizinhos como Colômbia, Peru, Equador e Brasil. Desde 2015, 1,6 milhão de venezuelanos deixaram seu país segundo dados da ONU.

El país
Fonte: El País

Durante a cúpula, 11 países ali presentes assinaram uma declaração conjunta em que pedia para que o governante venezuelano Nicolás Maduro aceitasse ajuda humanitária à Venezuela, além de se comprometerem a se ajudar mutuamente para lidar com a crise migratória, bem como permitirão a entrada de venezuelanos mesmo com documentos vencidos. Por outro lado, foi também levantada a necessidade de recursos financeiros para lidar com esta crise. EUA e Espanha já se comprometeram com suporte financeiro para lidar com esta situação. Ainda com relação a esta declaração, Bolívia se absteve de assinar o documento e República Dominicana afirmou que o faria mais tarde.

Além dessa reunião, outra foi realizada na quarta (05) em Washington D.C., onde se encontra a sede da OEA (Organização dos Estados Americanos). Nesta sessão extraordinária, ficou decidida a criação de uma força tarefa responsável pela captação de recursos que serão destinados para lidar com a crise migratória venezuelana.

Kosovo e Sérvia: conversa suspensa

Nesta sexta (07), um encontro entre os presidentes da Sérvia, Aleksandar Vucic, e o presidente de Kosovo, Marshim Thaci, foram canceladas pelo lado sérvio. O motivo do cancelamento não foi claro, mas a conversa entre os dois líderes era muito esperada a fim de avançar nas negociações que eventualmente resultariam em um fim na disputa territorial entre ambos e permitiriam que eles conseguissem ser considerados para o processo de admissão na União Europeia (a resolução nas relações de ambos é pré-requisito para suas candidaturas).

Independent Balkan Agency News
Fonte: Independent Balkan Agency News

O Kosovo, de maioria étnica albanesa, declarou sua independência em 2008, embora não tenha sido reconhecida pela Sérvia e outros membros da comunidade internacional. O atual plano consistiria em uma “troca” de territórios. Assim, o norte do Kosovo que ainda detém uma concentração de sérvios voltaria para o domínio da Sérvia. Por outro lado, uma parte do sul sérvio de maioria albanesa se tornaria parte do Kosovo. Apesar dos diálogos em torno desta proposta serem vistos por alguns como uma forma de pavimentar o caminho de ambos para a UE (e no caso do Kosovo também de um reconhecimento internacional maior), alguns analistas temem que este tipo de acordo pode provocar uma volta das tensões étnicas não somente entre Sérvia e Kosovo, mas em outras partes da região dos Bálcãs.

Protestos no Iêmen e atraso nas negociações de paz

Nesta semana novos desdobramentos ocorreram a respeito da guerra civil no Iêmen, conflito que já matou mais de 10.000 pessoas e de acordo com a ONU se figura como a pior crise humanitária atual. O primeiro deles foi um protesto realizado em Sanaa, reduto dos rebeldes houthis, no qual os manifestantes se voltavam contra a coalizão liderada pela Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, a qual foi responsável pelo ataque aéreo a um ônibus que matou um total de 40 crianças. Nas ruas de Sanaa, os manifestantes exigiam que os membros da coalizão fossem julgados pelos seus atos no país.

Houthi followers demonstrate to show rejection of an offer by the Saudi-led coalition to pay compensations for victims of an air strike in Saada, Yemen
Fonte: Investing

Além disso, na quinta (06) era esperada uma reunião em Genebra entre as diferentes partes do conflito para chegar a um processo de paz. Contudo, depois de dois dias de espera, a reunião foi cancelada no sábado (08), já que os rebeldes houthis não compareceram ao encontro. Segundo o enviado da ONU para as conversas de paz, Martin Griffiths, apesar dos houthis não conseguirem comparecer, alguns avanços preliminares foram alcançados como por exemplo evacuações médicas a serem transferidas para o Cairo na semana que vem. Porém, conversas mais profundas para chegar à paz ainda devem demorar.

Egito é questionado por julgamentos de manifestantes

No sábado (08), um tribunal do Egito sentenciou à morte 75 pessoas que participaram das manifestações em 2013 contra a deposição do então presidente Mohamed Morsi, incluindo membros da Irmandade Mulçumana que o atual governo considera uma organização terrorista. Os protestos de 2013 foram duramente criticados pelo alto grau de violência empregado, o que resultou na morte de mais de 800 manifestantes pelas forças de segurança.

The National
Fonte: The National

Logo depois de Morsi ser retirado do poder por um golpe militar, o até então Ministro da Defesa, General Abel Fattah el-Sisi assumiu como novo presidente e permanece no cargo até hoje, vencendo recentemente a reeleição em março deste ano.

Com relação ao julgamento, grupos de defesa dos direitos humanos como a Anistia Internacional condenaram o resultado considerado injusto e que não levou em conta as violações cometidas por membros das forças de segurança durante os protestos.

Fontes:

https://www.bbc.co.uk/news/world-asia-45392972

https://www.aljazeera.com/news/2018/09/myanmar-court-sentences-reuters-reporters-years-jail-180903043257163.html

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/09/america-latina-pede-a-maduro-que-aceite-ajuda-humanitaria-para-conter-exodo-de-venezuelanos.shtml

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/09/oea-propoe-criar-forca-tarefa-para-tratar-de-crise-venezuelana.shtml

https://www.washingtonpost.com/world/middle_east/leaders-of-russia-turkey-and-iran-meet-for-high-stakes-syria-talks/2018/09/07/e66a70c8-b11b-11e8-8b53-50116768e499_story.html?noredirect=on&utm_term=.adb1b4ff8d24

https://www.theguardian.com/world/2018/sep/08/turkey-warns-russia-idlib-attack-create-lake-of-blood

https://www.aljazeera.com/news/2018/09/kosovo-tense-serbian-president-visits-cancelling-talks-180909183725520.html

https://apnews.com/f01d5243fc7c42a5a1c3be3b77f96b17

https://uk.reuters.com/article/uk-yemen-security/thousands-in-yemens-saada-protest-over-air-strikes-that-killed-children-idUKKCN1LL2VW

https://www.dw.com/en/yemen-peace-talks-collapse-in-geneva-after-houthi-no-show/a-45409134

https://www.nytimes.com/2018/09/08/world/middleeast/egypt-protest-sentences.html

https://www.reuters.com/article/us-britain-russia-may/france-germany-canada-and-us-back-britain-over-salisbury-poisoning-idUSKCN1LM29L

 

Aconteceu em RI: 5ª semana de agosto

Esta última semana contou com vários acontecimentos importantes de estarmos atentos! Vamos dar uma olhada em alguns deles?

Relatório da ONU para Myanmar e Iêmen apontam crimes de guerra

Nesta última semana foram liberados dois relatórios da ONU, um apresentando o resultado das investigações para a crise sofrida pela minoria rohingya em Myanmar e o outro sobre os acontecimentos na guerra do Iêmen.

Na segunda (27), a Missão Internacional Independente de Apuração dos Fatos em Myanmar denunciou uma série de violações aos direitos humanos da minoria rohingya perpetradas por militares do país conhecidos como Tatmadaw. Dentre as acusações estão crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio. O relatório foi apresentado no Conselho de Segurança da ONU e o grupo indicou a necessidade de que o caso seja passado para o Tribunal Penal Internacional (TPI). Além disso, o grupo recomendou que seja criado um mecanismo imparcial de preservação das provas destes atos cometidos contra os rohingyas, até que seja estabelecido um tribunal próprio no TPI. Os militares de Myanmar, por sua  vez, negaram as acusações e disseram que vão abrir sua própria investigação independente.

Já na terça (28), um outro relatório da ONU se focou na crise do Iêmen, país que sofre com uma guerra civil desde 2011 e cujo conflito aumentou ainda mais em 2015. De acordo com a análise do grupo de investigadores, há indícios suficientes para acreditar que crimes de guerra foram cometidos por ambos os lados do conflito, seja pelas forças da coalizão vindas da Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos (EAU) quanto as forças de oposição houthis que lutam contra esta coalizão. Ambos os grupos foram acusados de atacar indiscriminadamente a população civil seja por bombardeios ou bloqueio de alimentos e medicamentos que resultaram na maior crise humanitária atual.

Novo acordo EUA-México surge como potencial substituto ao NAFTA

Na segunda (27), EUA e México anunciaram que conseguiram chegar a um acordo comercial entre ambos, o que deu uma maior tranquilidade aos mercados da região em comparação ao impasse que se observava até então a respeito do futuro do Tratado de Livre Comércio das Américas (NAFTA). Nestes novos termos acordados, um destaque especial ficou na discussão da indústria automobilística, um dos pontos mais criticados por Trump que alegava prejuízo dos trabalhadores estadounidenses em comparação aos mexicanos.

3D Rendering of North American Free Trade Agreement NAFTA Member
Fonte: Autoblog

Pelas regras novas, 75% das peças dos carros devem ser elaboradas na zona do NAFTA, e mais especificamente entre EUA e México, aumentando do 62,5% que constavam até então. Além disso, 40% a 45% do conteúdo do produto deverá ser realizado por trabalhadores que ganhem no mínimo US$ 16 dólares por hora. Acredita-se que estas medidas irão deslocar a produção de parte das peças da China para o México, mas que também várias partes serão realocadas do México para os EUA, considerando as novas especificações salariais. Por outro lado, também espera-se que a medida aumente o valor dos salários dos mexicanos.

As empresas automobilísticas, por sua vez, se dividiram entre elogiar o presente acordo e se preocuparem com ele, visto que algumas alegaram não saberem se vão conseguir se adequar às novas determinações salariais.

Já o Canadá ainda não decidiu se aceita entrar neste novo acordo ou não. O governo dos EUA havia estipulado um prazo até sexta (31) para o Canadá apresentar sua escolha, porém as negociações ainda não avançaram. Durante esta semana, Trump ameaçou pressionar o Canadá pela imposição de tarifas na indústria automobilística do país e ainda afirmou que não precisaria dos canadenses em uma nova versão do NAFTA. Porém, a ausência do Canadá é vista com preocupação, visto que a cadeia de suprimentos (supply chains) de diversas empresas dependem da integração dos três membros.

O governo canadense afirma se opor ao novo acordo principalmente por causa da incerteza de seus termos e porque o mesmo exclui a existência de um painel para resolução de controvérsias entre os seus membros.

Protestos xenófobos causam preocupação na Alemanha

No sábado (01), foram registrados protestos organizados por grupos de extrema-direita na cidade de Chemnitz, no leste da Alemanha. Contando com aproximadamente 8 mil pessoas, os manifestantes empunhavam cartazes e protestavam contra a vinda de imigrantes na Alemanha depois que um alemão foi morto por dois estrangeiros. Na mesma ocasião, um contraprotesto ocorreu em oposição ao primeiro, no qual as pessoas denunciaram a crescente xenofobia e a violência contra estrangeiros em geral.

BBC
Fonte: BBC

Ainda foram registrados um total de 18 feridos entre eles 3 policiais e um afegão que foi atacado algumas horas depois do protesto. Ao longo das últimas manifestações deste tipo que ocorreram na cidade, já foram apontados outros casos em que pessoas que aparentavam ser estrangeiras eram perseguidas e atacadas por extremistas. Nesta última vez, até mesmo alemães que participaram do contraprotesto foram alvos de ataques dos manifestantes extremistas.

A atual onda de protestos gerou preocupação no governo central e tem se mostrado como uma tendência cada vez maior ao redor da Europa.

Crise econômica na Argentina

A Argentina está passando por dificuldades para estabilizar sua economia. Recentemente, a crise cambial do país atingiu um novo patamar e a escalada do dólar frente ao peso argentino fez com que a moeda do país se desvalorizasse a ponto de finalizar a última quinta-feira (30) sendo cotado a 39,87 pesos/dólar, representando uma queda de aproximadamente 13,5%. Até o momento, o peso acumula uma perda anual em torno de 53%.

poca negócios
Fonte: Época Negócios

Dada a severidade da situação, o Banco Central argentino elevou as taxas de juros de 45% para 60% ao ano como uma maneira de tentar segurar a crise cambial que o país está passando. Estas alterações ocorreram um dia após o presidente da Argentina, Maurício Macri, solicitar ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que a organização antecipasse a transferência de fundos para o país como parte do acordo firmado em junho do ano passado, o que em contrapartida exigia uma política fiscal e monetária mais rígida.

Os impactos da crise argentina podem vir a ser sentidos em outros países como no Brasil em um futuro próximo. O principal afetado será provavelmente a indústria automobilística, visto que 60% dos carros comprados na Argentina são produzidos no Brasil, mas um efeito dominó entre os mercados emergentes também é outra possibilidade.

Fim do financiamento dos EUA aos refugiados palestinos

Nesta última semana, o governo dos EUA anunciou que irá acabar com o financiamento que faz à agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA). A fatia de auxílio do país correspondia a aproximadamente 30% do orçamento da organização, algo que gerava em torno de US$ 300 milhões. A UNRWA está destinada a realizar projetos sociais de auxílio aos palestinos em diversas áreas da região como Jordânia, Síria, Líbano, Cisjordânia e Faixa de Gaza.

Al Bawaba
Fonte: Al Bawaba

Em janeiro, a administração de Trump liberou US$ 60 milhões, mas disse que os EUA não iriam mais arcar com o financiamento realizado até então, o que chamou de uma parcela desproporcional e ainda afirmou que a resposta da comunidade internacional não foi suficiente.

A UNRWA, por sua vez, criticou a decisão de cancelar o financiamento e defendeu que a organização conseguiu entregar resultados significativos para auxílio dos palestinos, como um sistema educacional elogiado inclusive pelo Banco Mundial.

 

Fontes:

https://nacoesunidas.org/relatorio-da-onu-indica-possiveis-crimes-de-guerra-no-iemen/

https://news.un.org/pt/story/2018/08/1635522

http://www.jb.com.br/_conteudo/internacional/2018/08/1509-mianmar-rejeita-relatorio-da-onu-sobre-crimes-contra-rohingyas.html

https://www.reuters.com/article/us-trade-nafta/exclusive-u-s-mexico-reach-nafta-deal-talks-with-canada-to-start-immediately-idUSKCN1LC1E7?feedType=RSS&

https://globalnews.ca/news/4413379/u-s-mexico-new-trade-deal-canada/

https://www.dw.com/pt-br/protestos-contra-estrangeiros-em-chemnitz-deixam-18-feridos/a-45327568

https://www.correiodopovo.com.br/Noticias/Internacional/2018/9/660291/EUA-encerram-financiamento-a-agencia-da-ONU-para-refugiados-palestinos

https://oglobo.globo.com/economia/peso-argentino-despenca-1352-bc-eleva-taxa-de-juros-para-60-23024124

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,argentina-sobe-juros-de-45-para-60-ao-ano,70002480225